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Está acima do peso e estressado? Seu cortisol pode estar alto

Atualizado: 4 de jun. de 2020

Cerca de 80% dos pacientes que chegam ao meu consultório se definem como ansiosos ou estressados. Uma das primeiras coisas que investigo é o nível de cortisol, porque o estresse ocorre quando existe desregulação desse hormônio e as causas disso são, principalmente, maus hábitos alimentares e estilo de vida inadequado.


Uma pesquisa da Isma-BR (International Stress Management Association) mostrou que nove em cada dez nove em cada dez brasileiros apresentam sintomas de ansiedade e quase metade sofre de algum nível de depressão no trabalho. A grande reclamação é a incapacidade de administrar o tempo, o que reflete nossa rotina de vida atual, na qual a maioria das pessoas quer ser bem-sucedida e produtiva, mas acaba sedentária por não poder “perder tempo”. Mas a maioria das pessoas se sente estressada não apenas no trabalho.

Qual a função do cortisol?

Esse hormônio, na verdade, é funcional e essencial ao nosso corpo. Ele é secretado diante de situações de emergência e ajuda o corpo a reagir aos problemas, aumentando nosso estado de alerta e nos preparando para reação de fuga. Ele é muito útil na nossa rotina, pois nos mais dinâmicos e ajuda na nossa cognição, aumentando a pressão arterial e o açúcar no sangue, propiciando energia muscular. O problema é quando situações cotidiano, maus hábitos e um estilo de vida inadequados desregulam sua produção.


Como posso saber se estou estressado?

O estresse é bem subjetivo e tem a ver com a sensação de controle das tarefas diárias, de como o paciente se harmoniza com as condições do dia a dia. Escuto muito: ‘Não tenho tempo para malhar, não tenho tempo para preparar minhas refeições. Minha vida é muito corrida’. Mas esse comportamento desequilibra o cortisol, responsável exatamente por controlar o estresse e manter os níveis de açúcar normais no nosso organismo.

Quais os prejuízos do cortisol alto?

Esse hormônio desempenha papel fundamental no metabolismo das proteínas, lipídeos e carboidratos. Ele controla os níveis de açúcar no sangue junto com à insulina e seu excesso aumenta os níveis de glicose no sangue, causando resistência à insulina, aumento de gordura abdominal e acúmulo de gordura no fígado. O açúcar em excesso desregula a microbiota intestinal e o sistema imunológico. Com a proteção natural do intestino desestabilizada (hiperpermeabilidade intestinal) pode estimular processos alérgicos e até doenças autoimunes.


Nos meus pacientes, eu gosto de avaliar o cortisol salivar e não apenas no sangue, pois a dosagem no plasma detecta o cortisol total (ligado e livre), enquanto a dosagem na saliva quantifica apenas o cortisol em excesso. Esse aumento no organismo também promove redução do metabolismo basal, pois altera o metabolismo da tireoide e causa dificuldade na perda de peso, mesmo comendo pouco. O excesso também diminui a produção de testosterona e ativa a via da aromatase (enzima que transforma a testosterona em estradiol) e, como consequência disso, o paciente geralmente reclama de cansaço crônico, libido baixa e, se estiver malhando, não consegue ganhar massa muscular.


Qual o papel do nutricionista na regulação do cortisol?

O nutricionista age para regular todos os processos com alimentação e suplementação. A alimentação saudável é imprescindível para garantir o aporte de nutrientes com estratégias específicas, como carboidratos de boa qualidade, fibras, água e chás calmantes. Também tratamos a disbiose intestinal e auxiliamos no controle do sono com dicas simples e eficientes. A suplementação específica e eficiente interfere de forma positiva em muitos processos, reduzindo os danos oxidativos ao corpo. Busco sempre trabalhar os gatilhos de comportamentos no meu paciente, pois o estilo de vida saudável ajuda a manter o cortisol em níveis adequados.


E o que fazer para desestressar?

No consultório, percebo que a maioria das pessoas ainda não sabe o que fazer para desestressar. Alguns falam que vão à academia ou vão tirar tempo para si e muitos falam que precisam de férias. Mas tirar férias uma vez por ano não é suficiente para regular o estresse do ano todo. O que ensino aos meus pacientes vai além da alimentação. Digo que todos os dias ele precisa dar para si mesmo um tempo mínimo de presente e passar informações boas para suas células, nem que sejam 15 ou 30 minutos por dia. Qualquer exercício físico ajuda nisso e indico também trabalhar a espiritualidade, pois a fé gera resiliência e reduz os danos oxidativos ao organismo.



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